Funcionários de Google e OpenAI criticam parceria de IA com governo dos EUA
Funcionários da Google e da OpenAI publicaram uma carta aberta nesta segunda-feira (2) criticando a pressão do governo dos Estados Unidos pelo uso de inteligência artificial (IA) para fins militares. O documento, intitulado “We Will Not Be Divided” (“Não Seremos Divididos”), reúne 867 assinaturas ligadas ao Google — sendo 866 de funcionários atuais — e outras 100 de colaboradores da OpenAI.
No texto, os trabalhadores afirmam que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos negocia com as empresas termos contratuais que a concorrente Anthropic teria recusado recentemente. A principal reivindicação é a manutenção das chamadas “linhas vermelhas” no desenvolvimento da tecnologia, impedindo o uso dos modelos de IA para vigilância em massa doméstica ou em sistemas autônomos de armamento sem supervisão humana.
A carta permite assinaturas anônimas de funcionários atuais e antigos, desde que comprovem vínculo empregatício por meio de e-mail corporativo ou outras formas de validação, como envio de foto do crachá.
O documento divulgado no site notdivided.org acusa o governo de tentar dividir as empresas ao sugerir que concorrentes poderiam ceder às pressões oficiais. Segundo os organizadores, a iniciativa busca fortalecer a solidariedade interna na indústria de IA.
Pressão sobre a Anthropic
A mobilização ocorre após medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, contra a Anthropic. O governo ameaçou acionar a Lei de Produção de Defesa para obrigar a empresa a fornecer seus modelos às Forças Armadas e adaptá-los a demandas militares.
Além disso, a companhia foi rotulada como “risco à cadeia de suprimentos” após se recusar a flexibilizar suas políticas internas. A designação ocorreu horas antes do início de operações militares dos EUA contra o Irã.
A tensão no setor aumentou ainda após relatos de que o Google negocia a implantação do modelo Gemini em um sistema classificado do Pentágono.
Outras empresas também passaram a ser pressionadas. A coalizão “No Tech For Apartheid” divulgou uma declaração pedindo que gigantes da computação em nuvem, como Amazon e Microsoft, recusem contratos que possam viabilizar vigilância em massa ou usos considerados abusivos da inteligência artificial.
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