UESC conquista patente de tecnologia que pode revolucionar a fermentação do cacau

UESC conquista patente de tecnologia que pode revolucionar a fermentação do cacau

Uma inovação desenvolvida na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) acaba de conquistar reconhecimento nacional e pode representar um importante avanço para a cadeia produtiva do cacau. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu a patente de um fermentador automatizado criado para aprimorar uma das etapas mais importantes da produção das amêndoas.

Batizado de Fermentador de Cacau com Hélice Rotativo Autônomo, o equipamento foi desenvolvido pelo professor Jorge Henrique de Oliveira Sales, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional em Ciência e Tecnologia da universidade.

A tecnologia tem como principal objetivo automatizar o processo de fermentação, etapa considerada fundamental para a formação dos aromas, sabores e demais características que influenciam diretamente a qualidade do chocolate.

Diferentemente dos métodos tradicionais, que exigem revolvimento manual frequente das amêndoas, o novo sistema utiliza um mecanismo automatizado composto por hélices rotativas instaladas em um recipiente de aço inoxidável. O equipamento realiza a mistura das amêndoas em intervalos programados, garantindo maior uniformidade durante todo o processo.

Outro diferencial é o monitoramento inteligente. Sensores acompanham continuamente fatores como temperatura, umidade e pH, permitindo que o próprio sistema ajuste seu funcionamento para manter as condições ideais de fermentação. A tecnologia também possibilita acompanhamento remoto por meio de conexão Wi-Fi, facilitando o controle da produção por técnicos e agricultores.

Com capacidade para processar até 666 quilos de amêndoas por ciclo, o equipamento foi projetado para atender especialmente produtores que buscam melhorar a qualidade do cacau sem elevar significativamente os custos de produção.

Segundo os pesquisadores envolvidos, a inovação pode beneficiar principalmente agricultores familiares, ampliando o acesso a tecnologias que agregam valor ao produto e aumentam a competitividade do cacau brasileiro em mercados voltados para chocolates finos e especiais.

O projeto recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da própria UESC. Paralelamente ao fermentador, o grupo também desenvolve soluções sustentáveis para o pós-colheita, incluindo um secador de amêndoas movido a energia solar.

A conquista reforça o papel da UESC como referência em pesquisa voltada à cacauicultura e destaca a importância da ciência produzida na região para o fortalecimento de um dos setores mais tradicionais da economia baiana.

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