União Europeia abre investigação sobre X por imagens sexualizadas no Grok, diz parlamentar

União Europeia abre investigação sobre X por imagens sexualizadas no Grok, diz parlamentar

A União Europeia abriu um procedimento para apurar a atuação do chatbot de inteligência artificial Grok, ligado à plataforma X, após a circulação de imagens sexualizadas geradas pela ferramenta. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (26) pela deputada europeia Regina Doherty, da Irlanda.

Segundo a parlamentar, a Comissão Europeia vai analisar se a empresa está cumprindo as exigências previstas na legislação digital do bloco, especialmente no que diz respeito à gestão de riscos, controle de conteúdo e proteção de direitos fundamentais dos usuários.

A apuração ocorre em um cenário de atrito crescente entre a União Europeia e grandes empresas de tecnologia, o que pode intensificar tensões com o governo dos Estados Unidos. Medidas regulatórias adotadas pelo bloco europeu já foram alvo de críticas da administração do presidente Donald Trump, inclusive com ameaças de retaliações comerciais.

Até o momento, a Comissão Europeia não confirmou oficialmente a abertura da investigação, nem respondeu aos pedidos de esclarecimento. A X também não se manifestou sobre o caso.

Em nota enviada por e-mail, Regina Doherty afirmou que o episódio levanta preocupações sérias sobre a capacidade das plataformas digitais de avaliar riscos e impedir a disseminação de conteúdos ilegais e prejudiciais. “É fundamental saber se as obrigações legais estão sendo efetivamente cumpridas”, destacou.

No início do mês, a Comissão Europeia já havia classificado como ilegais e ofensivas imagens geradas por inteligência artificial que retratavam mulheres e crianças nuas e que circularam na X, posicionamento que acompanhou reações de repúdio em nível internacional.

Em resposta às críticas, a xAI — empresa de inteligência artificial de Elon Musk — informou, em meados de janeiro, que realizou ajustes no Grok para impedir a edição de imagens de pessoas reais com roupas consideradas reveladoras, como trajes de banho. A companhia também afirmou ter restringido, com base na localização geográfica, a geração desse tipo de imagem em países onde a prática é considerada ilegal, sem especificar quais.

Para Doherty, o episódio evidencia falhas mais amplas na regulação e na fiscalização de tecnologias emergentes. “A União Europeia possui regras claras para a proteção das pessoas no ambiente digital, e elas precisam ser aplicadas de forma efetiva. Nenhuma empresa que atue no bloco está acima da lei”, reforçou.

Além da investigação europeia, a plataforma X também passou a ser alvo, neste mês, de uma apuração conduzida pelo órgão regulador de mídia do Reino Unido, a Ofcom, que avalia se a empresa cumpre as determinações da Lei de Segurança Online britânica.

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