Petrobras confirma presença de petróleo na Foz do Amazonas, mas potencial da reserva ainda é desconhecido
A Petrobras confirmou a presença de petróleo no poço Morpho, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A informação foi anunciada nesta segunda-feira (17) pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar da identificação de petróleo, a Petrobras ainda não sabe qual é o tamanho ou o potencial comercial da descoberta. Segundo Chambriard, os trabalhos de avaliação no poço devem continuar pelos próximos 15 a 20 dias.
A executiva afirmou que outros três poços estão previstos para a mesma região, enquanto mais cinco áreas próximas também fazem parte do esforço exploratório. Os resultados dessas perfurações deverão ajudar a empresa a dimensionar a quantidade de petróleo existente na região.
Na semana passada, a Petrobras já havia informado a identificação de hidrocarbonetos em águas ultraprofundas na costa do Amapá, a partir da análise das formações geológicas encontradas durante a perfuração.
Nova fronteira de exploração
O poço Morpho está localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma área com lâmina d’água de 2.886 metros. A Petrobras é responsável pela operação do bloco FZA-M-59, com participação integral no empreendimento.
A região é considerada estratégica pela estatal e pelo setor de petróleo e gás diante da perspectiva de redução da produção do pré-sal no futuro. De acordo com a Petrobras, a produção do pré-sal deve atingir seu pico entre 2034 e 2035, aumentando a necessidade de encontrar novas reservas.
A descoberta, entretanto, ainda não representa uma reserva comercial de petróleo. É necessário concluir a avaliação do poço e realizar novas perfurações para determinar a dimensão e a viabilidade econômica dos recursos encontrados.
A Petrobras já solicitou ao Ibama autorização para perfurar outros três poços no mesmo bloco: PAD-Morpho, Manga e Crotalus. Os pedidos ainda estão em análise e dependem, entre outros fatores, dos resultados obtidos no poço atualmente em avaliação.
Exploração gera debate ambiental
A exploração de petróleo na Foz do Amazonas é alvo de discussões ambientais há anos. O processo de licenciamento do bloco foi marcado por controvérsias e chegou a receber recomendação técnica do Ibama pelo arquivamento.
A licença para a perfuração do Morpho foi concedida em outubro de 2025, antes da realização da COP30 em Belém. Organizações ambientalistas criticaram a autorização, argumentando que a expansão da exploração de combustíveis fósseis entra em conflito com as metas de redução das emissões.
O governo federal, por outro lado, defende que o país deve aproveitar os recursos naturais disponíveis enquanto avança na transição energética.
Durante o anúncio, Lula destacou a importância estratégica da descoberta para o país e afirmou que a exploração deve ocorrer junto com medidas de proteção ambiental.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, classificou a descoberta como um avanço para a soberania energética brasileira. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o governador do Amapá, Clécio Luís, também participaram do evento e defenderam a exploração da área.
Petrobras registra alta no lucro
O anúncio da descoberta ocorre em um momento de forte resultado financeiro da Petrobras. A estatal registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no trimestre mais recente, alta de 97% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A companhia também alcançou produção recorde de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia e anunciou R$ 17,4 bilhões em dividendos. Do total, R$ 6,2 bilhões correspondem à participação do governo federal.
Apesar dos resultados, a Petrobras ainda precisa concluir os estudos no bloco FZA-M-59 para saber se o petróleo encontrado na Foz do Amazonas poderá se transformar em uma nova fronteira comercial de produção.
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