Pesquisa da Uesc é premiada em congresso na Austrália

Pesquisa da Uesc é premiada em congresso na Austrália

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) foi premiado durante um congresso internacional realizado em Cairns, na Austrália. O trabalho foi apresentado entre os dias 26 e 29 de julho, durante o encontro da International Society of Ethnobiology (ISE).

Intitulado “Cativeiro de aves silvestres no semiárido brasileiro: conflitos em uma zona de amortecimento de área protegida”, o artigo é de autoria do professor doutor Alexandre Schiavetti, do Programa de Pós-Graduação em Zoologia (PPGZOO) da Uesc.

A pesquisa também tem participação do professor Ivã Barbosa Santos, ornitólogo e pesquisador do Instituto Multidisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia (UFBA), além do servidor técnico da Uesc Jorge Nassri e do professor Ricardo Evangelista Fraga, que realizou pós-doutorado em Zoologia pela universidade.

O estudo é resultado de um projeto financiado por edital da Fapesb/CNPq e desenvolvido desde 2019 em parceria com a Polícia Federal e a Universidade de Brasília (UnB). A iniciativa trabalha com a identificação e classificação de animais silvestres apreendidos em operações contra o tráfico de fauna em áreas de conservação da Bahia.

Após o resgate e a recuperação, os animais são destinados, sempre que possível, a regiões próximas de seus locais de origem. O trabalho conta ainda com apoio do Fundo Brasileiro para a Diversidade (Funbio), da Fundação Rufford e do Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) de Vitória da Conquista.

Pesquisa ajuda a identificar áreas de captura

De acordo com Schiavetti, entre os animais mais encontrados em situações relacionadas ao tráfico estão aves canoras, como papagaios, curiós e periquitos, além de jabutis.

O pesquisador explica que o projeto atua em duas frentes. Uma delas é utilizar informações sobre a origem dos animais resgatados para orientar a devolução aos ambientes adequados, evitando problemas relacionados à mistura de populações que apresentam características genéticas e comportamentais diferentes.

A outra possibilidade é utilizar os dados para identificar regiões onde a captura de animais silvestres ocorre com maior frequência. Com esse mapeamento, as informações podem subsidiar ações de fiscalização e também campanhas educativas direcionadas às comunidades onde há maior ocorrência de captura.

O projeto também tem contribuído para a formação de profissionais em áreas que vão além da carreira acadêmica. Segundo o professor, um dos pesquisadores que passou pela iniciativa concluiu o doutorado e posteriormente foi aprovado em concurso para atuar na Polícia Científica do Espírito Santo, em uma atividade relacionada ao trabalho desenvolvido no projeto.

Proposta busca mudar relação com animais silvestres

Outro ponto apresentado no estudo é o conceito chamado pelos pesquisadores de “catividade por afeto”. A proposta parte da observação de situações em que moradores atraem animais silvestres para perto de suas casas por admiração, mas sem necessariamente mantê-los presos.

Schiavetti cita como exemplo uma comunidade localizada na divisa da Bahia com o Piauí, onde moradores retirariam ninhos de joão-de-barro e os levariam para seus quintais. Dessa forma, segundo o pesquisador, a intenção seria criar condições para que as aves permanecessem próximas às residências sem serem colocadas em gaiolas.

A experiência é utilizada para defender uma mudança na forma de abordar o problema do tráfico de fauna, ampliando as ações de conscientização também para quem recebe ou mantém contato com os animais, e não apenas para quem realiza a captura e o transporte.

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