Brasil tem 63,9 milhões de pessoas sem educação básica completa

Brasil tem 63,9 milhões de pessoas sem educação básica completa

Cerca de 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica, o equivalente a 37,3% da população nessa faixa etária. Os dados fazem parte de um levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva, que aponta desafios para ampliar o acesso à educação de jovens e adultos no país.

Do total, 44,7 milhões de pessoas não terminaram o ensino fundamental, enquanto outras 19,3 milhões interromperam os estudos antes de concluir o ensino médio.

Apesar da demanda, a Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade voltada a quem não concluiu os estudos na idade esperada, atende apenas 1,5% desse público potencial.

Desigualdade racial e dificuldades para voltar a estudar

O levantamento mostra que pessoas pretas e pardas representam 63,9% dos brasileiros que não concluíram a educação básica. Entre os matriculados na EJA, esse grupo corresponde a 76,8% dos estudantes.

Os dados também revelam diferenças relacionadas à idade e ao gênero. Entre as pessoas que não concluíram os primeiros anos do ensino fundamental, há uma concentração significativa de idosos, especialmente entre as mulheres. Já entre aqueles que não terminaram o ensino médio, predominam adultos de 30 a 49 anos.

O trabalho aparece como um dos principais motivos para o abandono escolar e também como obstáculo para o retorno às salas de aula. Entre homens de 15 a 29 anos, 53,9% apontaram o emprego como razão para deixar os estudos, enquanto 61,7% citaram o trabalho como dificuldade para voltar a estudar.

Entre as mulheres da mesma faixa etária, 34,9% apontaram as responsabilidades familiares como barreira para retomar a formação. A gravidez foi mencionada por 22,9% como motivo para abandonar a escola.

Escolaridade também afeta renda e oportunidades

A pesquisa identificou diferenças expressivas na renda e na inserção profissional. A renda domiciliar mensal por pessoa entre aqueles que não concluíram a educação básica é de R$ 1.427, menos da metade dos R$ 2.777 registrados entre quem concluiu essa etapa.

A taxa de pobreza também é 1,8 vez maior no grupo com escolaridade incompleta. Entre os trabalhadores sem ensino fundamental completo, 38,4% têm emprego formal, enquanto o percentual chega a 65% entre aqueles que concluíram o ensino médio.

Uma simulação apresentada no estudo estima que a conclusão da educação básica por 32,5 milhões de pessoas poderia gerar um aumento de R$ 66 bilhões por ano nos rendimentos do trabalho. O valor corresponde a aproximadamente 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Redução do número de pessoas sem escolaridade completa

Entre 2012 e 2025, o contingente de brasileiros sem a educação básica completa diminuiu 16%. Segundo o levantamento, mais da metade dessa redução ocorreu devido à morte de pessoas mais velhas que não tiveram acesso à escola no passado.

Para Silvana Oliveira, superintendente do Itaú Educação e Trabalho e uma das responsáveis pelo estudo, ampliar o número de vagas não é suficiente. A pesquisadora defende currículos flexíveis, horários compatíveis com a jornada de trabalho e políticas que ajudem os estudantes a permanecer na escola.

O diagnóstico foi elaborado com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2025, do Censo Escolar de 2024 e do Censo Demográfico de 2022. O trabalho reúne instituições como as fundações Roberto Marinho, Bradesco, Itaú e Arymax, com cooperação da Unesco e parceria técnica do Iesp-Uerj.

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