Lula evita confronto com Trump após notícias sobre ajuda a Flávio Bolsonaro

Lula evita confronto com Trump após notícias sobre ajuda a Flávio Bolsonaro

Planalto pretende manter postura cautelosa diante das denúncias de apoio norte-americano à saída do senador do Brasil e preservar negociações comerciais com os Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pretende transformar a saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil em um novo foco de tensão diplomática com os Estados Unidos. A orientação no Palácio do Planalto é evitar manifestações que possam comprometer a relação com o presidente norte-americano Donald Trump e as negociações comerciais entre os dois países.

A estratégia foi mantida mesmo após reportagens dos jornais The New York Times e The Wall Street Journal apontarem que integrantes do governo Trump teriam ajudado a viabilizar a viagem de Flávio aos Estados Unidos. Segundo as publicações, o jato particular utilizado pelo senador teria sido providenciado por Jason Miller, integrante da equipe de comunicação da Casa Branca.

De acordo com informações da Folha de S.Paulo, auxiliares de Lula avaliam que uma reação direta do presidente brasileiro poderia ampliar desnecessariamente o episódio. O entendimento é que eventuais medidas relacionadas à saída do senador devem ser conduzidas pelo Judiciário, e não pela Presidência da República.

Governo quer preservar relação com os Estados Unidos

A preocupação do governo também envolve as negociações comerciais em andamento, especialmente as tratativas relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Nos bastidores, integrantes do Planalto defendem uma postura pragmática para evitar que o caso Flávio interfira em outros assuntos da agenda bilateral. Lula estaria disposto a conversar com Trump, mas sem colocar a viagem do senador no centro das discussões.

Aliados do presidente também avaliam que Flávio poderia estar tentando provocar uma reação de Lula e, com isso, criar um desgaste na relação entre os dois chefes de Estado.

Viagem ocorreu após ordem para entregar passaportes

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil depois de ser intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes. O senador é investigado em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets.

Segundo as informações divulgadas, ele passou pela Argentina e pelo Equador antes de chegar aos Estados Unidos.

Na quarta-feira (28), o parlamentar publicou uma carta na qual se declarou o “verdadeiro presidente do Brasil”. Posteriormente, alterou o texto e passou a se apresentar como “líder do Brasil”, além de questionar o resultado das eleições sem apresentar provas de fraude.

A movimentação provocou repercussão política e aumentou as discussões sobre o futuro da oposição brasileira.

Planalto avalia impactos políticos da saída de Flávio

Entre aliados de Lula, existe a avaliação de que a saída do senador para os Estados Unidos pode enfraquecer a articulação da oposição e abrir espaço para o surgimento de novas lideranças no campo conservador.

O episódio também ocorre em um momento de atenção à relação entre Brasil e Estados Unidos. Embora Trump ainda não tenha reconhecido explicitamente a vitória de Lula, afirmou que pretende conversar com o presidente brasileiro.

A orientação do governo, por enquanto, é não ampliar a polêmica e concentrar esforços na agenda econômica e diplomática, deixando as questões relacionadas à saída de Flávio sob responsabilidade das autoridades judiciais.

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