Operação investiga fraude no IPTU de quase 700 imóveis em Salvador
Operação Valor Venal apura alteração de dados cadastrais para reduzir imposto; quatro pessoas foram presas e Justiça determinou bloqueio de até R$ 20 milhões
A Polícia Civil da Bahia deflagrou nesta quinta-feira (17) a Operação Valor Venal, que investiga um suposto esquema de fraude no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Salvador. Segundo as investigações, dados cadastrais de quase 700 imóveis teriam sido modificados para reduzir o valor venal das propriedades e, consequentemente, o imposto devido.
Em alguns casos, a redução do valor venal teria chegado a 90%. Entre os imóveis investigados estão propriedades de médio e grande porte, principalmente em bairros de alto padrão, além de grandes empreendimentos comerciais.
De acordo com a Polícia Civil, os envolvidos teriam alterado informações do Cadastro Imobiliário da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), como o ano de construção dos imóveis, a natureza da ocupação e outros parâmetros utilizados no cálculo do valor venal.
A operação cumpre mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e medidas cautelares contra investigados. Até o momento, quatro pessoas foram presas. Entre os alvos estão despachantes, uma consultora e uma ex-servidora terceirizada, apontada nas investigações como responsável pela execução de alterações no sistema. Uma servidora pública também foi afastada do cargo por determinação judicial.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de até R$ 20 milhões em bens e valores dos investigados. A medida tem como objetivo garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos caso os prejuízos sejam confirmados ao longo da investigação.
Prefeitura diz que identificou irregularidades
Segundo a Secretaria Municipal da Fazenda, a investigação teve origem em uma denúncia recebida pela própria Prefeitura. Após realizar uma auditoria interna, a Sefaz identificou indícios de irregularidades e comunicou o caso à Polícia Civil em fevereiro deste ano. A pasta também instaurou uma sindicância para apurar os fatos e possíveis responsabilidades.
A Sefaz informou que também foram identificados acessos não autorizados aos sistemas da secretaria por funcionários terceirizados, que foram desligados. A Prefeitura afirmou ainda que processos nos quais foram encontradas inconsistências foram revertidos e que as cobranças foram recalculadas com os valores considerados legalmente devidos.
Também foram instaurados Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra servidores, conduzidos pela Controladoria-Geral do Município a pedido da Sefaz.
As investigações são conduzidas pelo Núcleo Especializado no Combate aos Crimes Econômicos e Contra a Ordem Tributária (NECCOT), unidade vinculada ao Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO-LD).
A apuração continua para esclarecer a participação dos envolvidos, a extensão das alterações cadastrais e os possíveis prejuízos aos cofres públicos. A condição de investigado ou alvo de medidas judiciais, por si só, não representa comprovação de responsabilidade criminal.
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