Salvador perde protagonismo no Nordeste e Fortaleza avança em indicadores econômicos e sociais

Salvador perde protagonismo no Nordeste e Fortaleza avança em indicadores econômicos e sociais

Salvador deixou de ocupar a liderança em alguns dos principais indicadores econômicos e sociais entre as capitais nordestinas ao longo dos últimos anos. A mudança é apontada em uma comparação que reúne dados de saúde, educação, economia, emprego, saneamento e população das duas cidades.

Em 2013, Salvador figurava como a principal economia municipal do Nordeste. Desde então, Fortaleza ganhou espaço e passou a liderar o ranking regional do Produto Interno Bruto (PIB), além de apresentar resultados superiores em áreas como educação e mercado de trabalho.

Fortaleza supera Salvador no PIB

A mudança na liderança econômica ocorreu em 2020. Dados mais recentes disponíveis, referentes a 2023, mostram Fortaleza com um PIB de R$ 86,9 bilhões, enquanto Salvador registrou R$ 76,7 bilhões.

A diferença chega a aproximadamente R$ 10,2 bilhões. Considerando o tamanho semelhante das populações, o resultado também aparece no PIB por habitante: cerca de R$ 35,8 mil em Fortaleza, contra aproximadamente R$ 31,7 mil em Salvador.

Na comparação, a economia fortalezense produz cerca de 13,3% mais riqueza do que a soteropolitana.

O mercado de trabalho formal também apresenta vantagem para a capital cearense. Em novembro de 2024, Fortaleza contabilizava aproximadamente 756,7 mil empregos formais, enquanto Salvador tinha cerca de 670,2 mil. A diferença é de aproximadamente 86,5 mil postos de trabalho.

Educação também favorece Fortaleza

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 mostram desempenho superior de Fortaleza na rede municipal de ensino.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, a capital cearense alcançou 6,1, enquanto Salvador registrou 5,6. Já nos anos finais, os índices foram de 5,0 em Fortaleza e 4,5 em Salvador.

Diferença na estrutura de saúde

Na saúde pública, a comparação aponta uma estrutura municipal mais ampla em Fortaleza. A cidade possui 11 hospitais sob administração municipal, incluindo a Santa Casa, que passou temporariamente para a gestão da Prefeitura.

Salvador, por sua vez, conta com três hospitais municipais. Entre eles está uma unidade construída durante as administrações de ACM Neto e Bruno Reis.

Na capital baiana, parte significativa da estrutura hospitalar é mantida pelo Governo do Estado. A rede estadual reúne 16 hospitais, entre eles o Hospital Geral do Estado, Hospital Roberto Santos, Hospital da Mulher, Hospital do Subúrbio, Hospital Ana Nery, Hospital Ortopédico e Instituto Couto Maia.

O Estado também administra cinco maternidades independentes: Iperba, Tsylla Balbino, Maria da Conceição de Jesus, José Maria de Magalhães Netto e Albert Sabin, além de unidades de emergência espalhadas pela cidade.

Saneamento é um dos pontos favoráveis a Salvador

Entre os indicadores analisados, Salvador apresenta vantagem na cobertura de esgotamento sanitário.

A capital baiana registra 88,6% de cobertura, enquanto Fortaleza aparece com 64,2%. O serviço, entretanto, é realizado pela Embasa, empresa controlada pelo Governo da Bahia.

Salvador perdeu população

Os dados demográficos também revelam uma mudança importante.

Salvador tinha 2,68 milhões de habitantes em 2010. No Censo de 2022, o número caiu para aproximadamente 2,42 milhões, redução de cerca de 9,6%.

Fortaleza também apresentou queda, mas em proporção bem menor. A população passou de aproximadamente 2,45 milhões para 2,43 milhões no mesmo período. Com isso, a capital cearense terminou o Censo com cerca de 11 mil habitantes a mais que Salvador.

A mudança demográfica também alterou a posição de Salvador entre as cidades mais populosas do país. A capital baiana caiu da terceira para a quinta colocação no ranking nacional.

Os números mostram, portanto, uma mudança no equilíbrio entre as duas maiores capitais do Nordeste. Enquanto Fortaleza avançou na produção de riqueza, geração de empregos formais e indicadores educacionais, Salvador mantém vantagem na cobertura de esgotamento sanitário e conta com uma ampla rede estadual de serviços públicos.

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