Sentença revela esquema de celulares, drogas e armas em presídio de Feira de Santana

Sentença revela esquema de celulares, drogas e armas em presídio de Feira de Santana

A sentença que condenou policiais penais e detentos envolvidos na Operação Sísifo trouxe novos detalhes sobre o funcionamento de um esquema criminoso dentro do Conjunto Penal de Feira de Santana. A investigação apontou uma estrutura organizada para a entrada de celulares, drogas e armas brancas na unidade, além de um sistema de distribuição interna e movimentação financeira para ocultar os lucros obtidos com as atividades ilegais.

Segundo a decisão judicial, os materiais ilícitos chegavam aos internos por diferentes métodos. Um deles, conhecido como “Capa Preta”, consistia na entrega de mochilas e pacotes durante a madrugada. Utilizando cordas, os volumes eram descidos das passarelas superiores até as janelas das celas, onde eram recolhidos pelos detentos.

As investigações também identificaram que drogas e celulares eram escondidos em recipientes de alimentação, como cumbucas, baldes de café e de leite. Outro método envolvia o uso de presos autorizados a circular pelo presídio para realizar serviços de manutenção e limpeza, que faziam o transporte dos materiais entre os pavilhões.

De acordo com a sentença, uma policial penal e técnica de enfermagem também teria utilizado o acesso às alas da unidade para introduzir celulares de pequeno porte escondidos em caixas de medicamentos. Além disso, objetos proibidos eram deixados em veículos estacionados no pátio interno ou introduzidos por guaritas ocupadas por servidores investigados.

O esquema não se limitava à entrada dos materiais. Conforme a decisão, havia uma rede responsável pela comercialização dos produtos dentro do presídio. Aparelhos celulares que custavam determinado valor fora da unidade chegavam a ser revendidos por até R$ 5 mil aos detentos. A organização também avisava antecipadamente sobre a realização de revistas, permitindo que os presos escondessem os objetos antes das fiscalizações.

As investigações apontaram ainda a existência de um sistema de lavagem de dinheiro. Os pagamentos eram feitos por familiares ou comparsas por meio de transferências via Pix e depósitos em contas de terceiros. Parte dos recursos, segundo a Justiça, era movimentada por uma empresa de fachada e posteriormente convertida em bens como fazendas e gado para dificultar o rastreamento.

Entre 2019 e 2023, mais de mil celulares e milhares de porções de drogas foram apreendidos no Conjunto Penal de Feira de Santana, números que, segundo a sentença, demonstram a dimensão e a organização do esquema criminoso investigado.

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