Indústria afirma que Fim da taxa das blusinhas pode ameaçar 109 mil empregos

Indústria afirma que Fim da taxa das blusinhas pode ameaçar 109 mil empregos

A possível retirada da chamada “taxa das blusinhas” pode provocar impactos sobre a indústria brasileira e colocar em risco cerca de 109 mil empregos, segundo estimativa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (26).

A entidade defende a manutenção da cobrança e afirma que a redução do imposto pode estimular ainda mais a entrada de produtos estrangeiros de pequeno valor no país, aumentando a concorrência com mercadorias fabricadas pela indústria nacional.

A discussão deve voltar ao Congresso na próxima terça-feira (1º), quando está prevista a instalação de uma comissão mista para analisar a medida provisória que trata da cobrança. O texto precisa ser votado até 8 de setembro para não perder a validade.

Atualmente, compras internacionais de até US$ 50, cerca de R$ 258, estão sem a cobrança de 20% desde maio, quando o governo publicou a medida provisória que suspendeu a alíquota. Caso a MP não avance, a regra anterior poderá voltar a valer.

Segundo a análise apresentada pela CNI, a retirada do imposto tende a aumentar as compras de produtos importados em plataformas estrangeiras. A entidade estima que, para cada R$ 1 gasto em encomendas de pequeno valor do exterior, cerca de R$ 3,11 em produção nacional deixariam de ser gerados.

Com base nessa projeção, o impacto potencial sobre a indústria brasileira chegaria a R$ 21,8 bilhões. O cálculo foi elaborado a partir de dados de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), comparando cenários com e sem a cobrança.

A estimativa aponta ainda que a maior parte dos efeitos seria concentrada na indústria de transformação, responsável pela fabricação de produtos a partir de matérias-primas. Vestuário e eletrônicos estão entre os segmentos considerados mais expostos à concorrência de mercadorias importadas.

A CNI afirma que já se posicionou anteriormente contra a retirada da alíquota e, em maio, chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a medida. Entidades do setor industrial e do varejo também argumentam que a diferença na tributação pode criar uma vantagem para plataformas estrangeiras.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também manifestou preocupação. Em nota, a entidade afirmou que as operações realizadas pelo programa Remessa Conforme cresceram significativamente em junho e julho após a redução da tributação.

A decisão sobre o futuro da cobrança agora será discutida pelo Congresso. O tema também ganhou espaço no cenário político, diante da proximidade das eleições de outubro e da articulação do governo federal para definir a tramitação da medida.

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