UESC e UFSB participam de projeto inédito para mapear carbono da Mata Atlântica
A Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) participam de uma iniciativa internacional voltada à produção de dados inéditos sobre o armazenamento de carbono nas florestas da Mata Atlântica brasileira.
O Open Carbon Data Project é coordenado pela empresa Sylvera e conta com financiamento de US$ 900 mil da Fundação Rockefeller e da Meta. A iniciativa também reúne o World Resources Institute (WRI), a Symbiosis Coalition e instituições brasileiras de pesquisa.
O objetivo é criar um banco de dados de acesso aberto e alta resolução sobre o carbono armazenado na vegetação, utilizando medições realizadas em campo, tecnologia LiDAR e imagens de satélite. A proposta é aprimorar a precisão das estimativas e criar uma base científica para sistemas de medição, relato e verificação de projetos de carbono.
Pesquisa terá participação de universidades da região
Na Bahia, a coordenação do projeto ficará a cargo da professora Deborah Faria, do Departamento de Ciências Biológicas da UESC e coordenadora do Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação (LEAC).
O trabalho também contará com a participação do professor Daniel Piotto, da UFSB e do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade da UESC, que atuará como vice-líder da iniciativa no Brasil.
A pesquisa deverá produzir estimativas sobre os estoques de carbono em áreas remanescentes de Mata Atlântica e também em sistemas agroflorestais de cacau, atividade de relevância para produtores rurais da região sul da Bahia.
Além da produção de dados, o projeto prevê intercâmbio científico e capacitação de pesquisadores locais em técnicas utilizadas para avaliar o carbono presente nas florestas.
Dados serão disponibilizados gratuitamente
A expectativa é que o conjunto de dados seja disponibilizado ainda este ano sob a licença aberta CC BY 4.0 e hospedado pelo World Resources Institute. O acesso será gratuito para pesquisadores, desenvolvedores de projetos, certificadoras, formuladores de políticas públicas e outras instituições interessadas.
Segundo os responsáveis pela iniciativa, a disponibilização de informações padronizadas pode contribuir para reduzir custos e dificuldades na elaboração e verificação de projetos relacionados ao mercado de carbono.
O projeto também pretende ampliar a participação de pequenos produtores rurais e iniciativas comunitárias, que enfrentam maiores dificuldades para acessar mecanismos de financiamento climático.
As atividades serão realizadas em parceria com universidades, instituições de pesquisa, órgãos públicos, organizações locais e proprietários de terras. A proposta é combinar conhecimento científico produzido na região com tecnologias de sensoriamento remoto para melhorar a compreensão dos estoques de carbono da Mata Atlântica.

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