Fachin avalia assumir casos de Mendonça para conter crise no STF

Fachin avalia assumir casos de Mendonça para conter crise no STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, avalia retirar temporariamente de André Mendonça a relatoria das investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A proposta em estudo prevê que os processos sejam transferidos para a presidência da Corte como forma de reduzir a tensão entre os ministros.

Fachin reuniu auxiliares próximos no domingo (6) para discutir a crise interna envolvendo Mendonça e Alexandre de Moraes. Segundo interlocutores, a ideia de centralizar os casos busca diminuir o confronto entre os grupos que se posicionaram em torno dos dois ministros. A medida, porém, ainda está em avaliação e não foi oficialmente anunciada.

A articulação começou antes da decisão de Mendonça, nesta terça-feira (8), de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada. A determinação foi submetida à Segunda Turma do STF e chegou a formar maioria para ser mantida, mas a análise foi suspensa após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

O desgaste entre os ministros se intensificou após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Em reação, Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça, questionando sua atuação na condução do caso. Fachin posteriormente retirou esse pedido do inquérito das fake news e determinou que os envolvidos prestassem esclarecimentos.

O presidente do STF também solicitou informações a Mendonça, Moraes, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a Andrei Rodrigues sobre as circunstâncias relacionadas aos relatórios produzidos pela PF. Fachin afirmou que pretende apresentar uma resposta institucional sem precipitação, mas com rigor diante da crise.

A eventual mudança de relatoria ainda depende de uma decisão de Fachin e não há definição sobre quando ou como os processos poderiam ser transferidos para a presidência do Supremo.

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