Ministros do STF defendem redução do tempo de prisão de Jair Bolsonaro
Magistrados querem que Alexandre de Moraes leve ao plenário ações sobre a Lei da Dosimetria, que pode diminuir o período de cumprimento da pena em regime fechado.
Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) defende que a Corte avance na análise da chamada Lei da Dosimetria, que pode reduzir o tempo de cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro. A expectativa de ministros é que Alexandre de Moraes, relator das ações que questionam a constitucionalidade da norma, leve o tema para julgamento no plenário.
A articulação foi revelada pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Segundo a publicação, magistrados avaliam que uma decisão sobre a validade da legislação poderia diminuir o período de Bolsonaro em regime fechado de aproximadamente sete anos para dois anos e três meses, conforme cálculos de juízes e advogados ouvidos pela reportagem.
A eventual redução, no entanto, depende da validação da lei pelo Supremo e de sua aplicação ao caso do ex-presidente. Até o momento, não há decisão definitiva sobre o assunto.
Lei da Dosimetria está suspensa
A legislação prevê mudanças nos critérios de cálculo das penas aplicadas a condenados por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. A proposta foi aprovada pelo Congresso, mas teve sua aplicação suspensa por decisão de Alexandre de Moraes, em maio, até que o STF analise as ações que questionam sua constitucionalidade.
Caso a norma seja considerada válida e aplicada à condenação de Bolsonaro, o tempo de permanência em regime fechado poderá ser reduzido. A medida, porém, não representa anulação da condenação nem concessão automática de liberdade.
Disputa política também entra no debate
De acordo com a reportagem, integrantes do Supremo avaliam que a análise da lei também poderia ajudar a reduzir as tensões entre o Judiciário e o Senado, cuja composição a partir de 2027 deverá contar com uma presença expressiva de parlamentares que defendem o impeachment de ministros da Corte.
Outro efeito apontado nos bastidores seria enfraquecer as articulações em torno de propostas de anistia para Bolsonaro e outros condenados pelos atos antidemocráticos.
A discussão sobre a Lei da Dosimetria, portanto, envolve tanto os critérios jurídicos para o cumprimento das penas quanto os desdobramentos políticos da relação entre os Poderes.
Até agora, o STF não marcou a data para julgar a constitucionalidade da norma.
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