Peixe-leão chega a Abrolhos e acende alerta no litoral baiano

Peixe-leão chega a Abrolhos e acende alerta no litoral baiano

O avanço do peixe-leão no litoral baiano tem mobilizado pescadores, pesquisadores e órgãos ambientais. Em Porto Seguro, 440 exemplares da espécie invasora foram retirados do mar, enquanto registros também foram confirmados no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.

A espécie, originária do Indo-Pacífico, foi registrada pela primeira vez na região em junho de 2026. Com reprodução rápida e sem predadores naturais capazes de controlar sua população no Atlântico, o animal pode afetar espécies nativas e modificar o equilíbrio dos ambientes recifais.

Exemplares são analisados pela UFSB

Dos 440 peixes capturados em Porto Seguro, 430 foram congelados e encaminhados ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (Lecomar), da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

Os pesquisadores realizam análises de biometria e do conteúdo estomacal para avaliar o que os animais estão consumindo e compreender possíveis impactos sobre a fauna marinha local.

O peixe-leão se alimenta de peixes menores e crustáceos, incluindo espécies nativas e de importância para a pesca. A preocupação se estende também ao turismo, especialmente em áreas de recifes, caso a proliferação provoque alterações nos ecossistemas.

Porto Seguro paga por captura

Como parte da estratégia de controle, a Prefeitura de Porto Seguro criou um plano municipal de enfrentamento à bioinvasão em parceria com pescadores da Colônia Z-22. A iniciativa prevê o pagamento de R$ 10 por cada exemplar capturado e entregue para contabilização e pesquisa.

A captura exige treinamento porque o peixe possui 18 espinhos associados a glândulas de veneno. A toxina não está presente na carne, mas o contato com os espinhos pode provocar acidentes. O consumo do animal é considerado possível após o preparo adequado.

Pesquisadores apontam que a erradicação do peixe-leão em áreas onde a espécie já se estabeleceu não é considerada uma estratégia viável. Por isso, o monitoramento e a retirada de exemplares são utilizados como formas de tentar reduzir a expansão e seus impactos.

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