Entenda por que o Brasil sempre abre a Assembleia Geral da ONU
Na tarde desta terça-feira (19), a voz do Brasil ressoou novamente em uma das mais prestigiadas tribunas do mundo: a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o responsável por dar o tom inaugural do evento, seguindo uma longa tradição que coloca o líder brasileiro como o primeiro a discursar, antecedendo até mesmo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, neste caso.
A tradição de o Brasil abrir a Assembleia Geral da ONU remonta a décadas e, curiosamente, nem sempre foi assim. O país só passou a ser efetivamente o orador inicial do evento a partir de 1955. Mas por que exatamente o Brasil?
Ao longo dos anos, várias teorias foram propostas para explicar esse costume. Uma das hipóteses sugere que o posto foi uma espécie de “prêmio de consolação” oferecido ao Brasil por não ter sido incluído no Conselho de Segurança da ONU. Outra, refletindo o contexto da Guerra Fria, especula que, em meio às crescentes tensões entre Estados Unidos e União Soviética, o Brasil, visto como um país neutro, foi escolhido para abrir os trabalhos.
No entanto, uma explicação em particular ganhou mais destaque ao longo do tempo. Desmond Parker, chefe de protocolo da ONU, esclareceu em 2010 à NPR: “Em tempos muito antigos, quando ninguém queria falar primeiro, o Brasil sempre se oferecia. E assim ganhou o direito de falar primeiro na Assembleia Geral”.
Essa tradição permitiu, por exemplo, que em 2011, a então presidente Dilma Rousseff se tornasse a primeira mulher na história a abrir os discursos da Assembleia Geral da ONU, marcando um momento histórico não só para o Brasil, mas para todas as mulheres do mundo.
Dessa forma, além da importância econômica e política do Brasil no cenário mundial, o país também carrega consigo essa singular tradição diplomática, reafirmando anualmente sua voz ativa e protagonista na principal assembleia global.

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