Presidente do Paraguai renuncia e pede desculpas à população após crise bancária
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo em meio a uma grave crise financeira e política provocada pelo fechamento do banco digital Ueno. Em uma carta e em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o chefe de Estado pediu desculpas à população e afirmou que sua decisão busca preservar a estabilidade do país e a confiança nas instituições.
A crise começou após o Banco Central paraguaio intervir no Ueno, na terça-feira (3), e iniciar o processo de liquidação da instituição por problemas nos índices de solvência. O fechamento deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às contas e aos próprios recursos, provocando protestos e preocupação em diferentes setores da sociedade.
A situação ganhou repercussão política porque Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. A ligação comercial motivou questionamentos da oposição, que acusou o presidente de possível conflito de interesses e de responsabilidade na condução do caso. As acusações ainda dependem de apuração e não representam uma condenação do chefe de Estado.
Impeachment avançava no Congresso
A renúncia foi anunciada enquanto o Congresso paraguaio discutia a abertura de um processo de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana.
A crise também provocou divisões dentro do próprio Partido Colorado, legenda governista. Parlamentares da base passaram a apoiar a destituição da chapa presidencial, aumentando a pressão sobre o governo.
Pouco depois do anúncio da renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o impeachment de Peña. A saída do presidente, porém, ainda depende dos procedimentos constitucionais, incluindo a análise do Senado e a formalização da renúncia. O vice-presidente Pedro Alliana é o nome previsto para assumir a Presidência.
Presidente pede desculpas aos paraguaios
Em sua manifestação, Peña afirmou que decidiu deixar o cargo considerando a estabilidade nacional, a paz social e a preservação das instituições democráticas.
“Também quero pedir desculpas ao povo, caso eu tenha falhado em algum momento; nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim”, declarou.
O presidente também destacou a situação dos clientes que tiveram suas economias bloqueadas com o fechamento do banco. Segundo ele, cada depósito representa anos de trabalho, sacrifícios e projetos familiares.
Peña afirmou ainda que nenhum cargo deve estar acima do bem-estar do Paraguai e defendeu o respeito aos mecanismos constitucionais para a solução da crise.
Crise bancária atinge milhões de clientes
O Ueno era uma das principais instituições financeiras digitais do Paraguai, com cerca de 3 milhões de clientes e aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos vinculados ao sistema de previdência social.
A intervenção do Banco Central ocorreu após a identificação de problemas de solvência relacionados, entre outros fatores, a empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador. O caso também provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e a prisão de oito executivos ligados à instituição.
O Ministério Público paraguaio investiga possíveis irregularidades financeiras envolvendo o banco. A crise colocou em discussão a fiscalização do sistema financeiro e a proteção das economias dos clientes.
A renúncia de Peña abre um novo capítulo na instabilidade política do país, enquanto milhares de correntistas aguardam a recuperação dos valores mantidos na instituição.
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