Impasse na saúde: Prefeitura de Ilhéus aponta atraso milionário, enquanto Governo da Bahia nega dívida

Impasse na saúde: Prefeitura de Ilhéus aponta atraso milionário, enquanto Governo da Bahia nega dívida

Uma divergência entre a Prefeitura de Ilhéus e o Governo do Estado da Bahia tem gerado questionamentos sobre repasses financeiros destinados à saúde do município. De um lado, a gestão municipal afirma haver um atraso significativo nos recursos. Do outro, o Estado contesta os números e aponta inconsistências nas informações divulgadas.

Segundo a Prefeitura de Ilhéus, há um acumulado de aproximadamente R$ 6,6 milhões em repasses estaduais em atraso desde 2024. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, estariam pendentes recursos relacionados à Atenção Primária (ESF/PSF), ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) e à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS/CAPS), além de impactos na Rede Alyne, responsável por exames de pré-natal.

Ainda conforme o município, mesmo diante da suposta falta de repasses, os serviços de saúde continuam sendo mantidos com recursos próprios e federais. A gestão também afirma ter buscado diálogo com o Governo do Estado, mas sem retorno até o momento.

Por outro lado, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) nega a existência de qualquer dívida no valor mencionado. Em nota, o órgão afirma que a informação divulgada pela Prefeitura “não encontra respaldo nos registros financeiros do Estado” e pode ser verificada por meio do Portal da Transparência.

A Sesab também aponta inconsistências na planilha apresentada pelo município, destacando, por exemplo, possíveis duplicidades de lançamentos relacionados ao SAMU 192 e a inclusão de valores que não seriam de responsabilidade do Estado. Segundo o órgão, esses problemas comprometem a confiabilidade dos dados divulgados.

Além disso, o Governo do Estado informou que Ilhéus possui pendências financeiras com a Policlínica Regional de Saúde, que somariam cerca de R$ 1,85 milhão. O Estado afirma ainda que está à disposição para prestar esclarecimentos técnicos e orientar a Prefeitura quanto aos procedimentos corretos de apuração e comprovação de valores.

Diante do cenário, a situação evidencia um impasse entre as duas esferas de gestão, com versões divergentes sobre os mesmos dados. Enquanto a Prefeitura sustenta a existência de débitos que impactam o funcionamento da rede municipal, o Governo do Estado reforça que não reconhece a dívida e atribui a divergência a falhas técnicas nas informações apresentadas.

O caso segue sem definição e deve avançar a partir de novos esclarecimentos técnicos entre as partes, enquanto a população acompanha os desdobramentos de uma questão que envolve diretamente o financiamento dos serviços de saúde no município.

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