Lula atribui vazamentos de investigação sobre filho ao “bolsonarismo”

Lula atribui vazamentos de investigação sobre filho ao “bolsonarismo”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado preocupação com a divulgação de informações da investigação da Polícia Federal (PF) que envolve seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Segundo relatos de pessoas próximas ao presidente, Lula acredita que parte dos vazamentos possa estar relacionada a integrantes da corporação alinhados ao bolsonarismo.

A investigação apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Lulinha. Informações sobre depoimentos e documentos do inquérito vêm sendo divulgadas gradualmente durante o período eleitoral, o que, na avaliação de aliados do presidente, tem provocado sucessivos desgastes para o governo.

Em entrevista à TV Globo na última quinta-feira (27), Lula afirmou que a PF estaria “vazando coisas” sobre o caso. Apesar da reclamação, o presidente tem reiterado publicamente que não pretende interferir no trabalho da corporação e defende que seu filho seja investigado como qualquer outro cidadão.

Nos bastidores, integrantes do governo também discutem a possibilidade de uma divulgação mais ampla das informações do inquérito. A avaliação de alguns aliados é de que o acesso ao conteúdo completo poderia permitir uma resposta mais organizada às acusações e reduzir o impacto provocado por novas informações divulgadas ao longo da campanha.

Investigação sobre vazamentos também está em andamento

A origem dos vazamentos, no entanto, não está definida. Enquanto integrantes do PT apontam suspeitas sobre uma suposta ala bolsonarista dentro da Polícia Federal, outro grupo ligado ao governo levanta a possibilidade de que informações tenham saído do gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo caso.

Mendonça determinou, em 21 de agosto, a ampliação da apuração sobre a divulgação indevida de informações relacionadas à investigação. A decisão ocorreu após um pedido apresentado pela defesa de Lulinha.

Os advogados do filho do presidente haviam procurado o ministro depois da publicação de reportagens, em 17 de agosto, que apresentavam informações atribuídas ao inquérito. Segundo a defesa, algumas matérias indicavam ter tido acesso à íntegra da investigação, que possui informações protegidas por sigilo.

Apesar das críticas aos vazamentos, Lula afirma confiar no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e sustenta que a instituição deve ter autonomia para conduzir as investigações. O presidente também tem usado a independência da PF como contraponto às acusações de interferência na corporação feitas contra o governo de Jair Bolsonaro.

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