Justiça libera três casas de apostas após questionar proibição do governo federal
Três plataformas de apostas esportivas poderão voltar a operar no Brasil após uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), em São Paulo. A autorização foi concedida nesta quinta-feira (5) à empresa CDA Gaming, responsável pelas marcas Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online.
A decisão é provisória e estabelece multa diária de R$ 200 mil ao governo federal caso a determinação não seja cumprida. Ainda cabe recurso.
Ao analisar o pedido, a desembargadora Adriana Pileggi criticou a suspensão das atividades de empresas que haviam recebido autorização do próprio governo para funcionar. Na avaliação da magistrada, a interrupção repentina, sem considerar os investimentos realizados pelas plataformas, representaria um “verdadeiro confisco”.
A empresa alegou que investiu em tecnologia, equipamentos e estrutura para atuar legalmente no país e que recebeu prazo insuficiente para encerrar as operações. O pedido havia sido negado por dois juízes na primeira instância, mas foi acolhido após recurso ao TRF3.
A magistrada também questionou os argumentos utilizados pelo governo para justificar a proibição, especialmente a alegação de que a medida seria necessária para proteger consumidores e famílias dos impactos negativos das apostas.
Decisão não libera todo o setor
A autorização contempla exclusivamente as três plataformas ligadas à CDA Gaming. Para as demais casas de apostas, a proibição federal continua válida, conforme a medida questionada na Justiça.
A controvérsia chegou também ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde entidades do setor contestam a medida provisória que determinou a suspensão das atividades. Entre os argumentos apresentados estão a falta de demonstração de urgência e os impactos sobre empresas que já haviam obtido autorização para operar.
Nesta terça-feira (3), o ministro Luiz Fux, relator das ações no STF, promoveu uma audiência pública para discutir o tema. O encontro reuniu representantes de clubes de futebol, entidades da sociedade civil e integrantes do governo.
Durante a audiência, Fux apontou questões que precisam ser examinadas pela Corte, como a segurança jurídica dos contratos e os efeitos econômicos da proibição. O ministro também manifestou apoio ao debate sobre o banimento das apostas.
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