Dólar dispara após reeleição de Lula e mercado prevê alta nos preços dos alimentos

Dólar dispara após reeleição de Lula e mercado prevê alta nos preços dos alimentos

A valorização do dólar voltou a movimentar o mercado agrícola brasileiro e pode chegar ao bolso dos consumidores. Com a moeda americana em alta após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, commodities como soja, milho, açúcar, trigo e café registraram avanços nas cotações, aumentando a preocupação com possíveis reajustes nos preços dos alimentos.

Na terça-feira (3), o dólar chegou a R$ 5,486, maior cotação desde dezembro de 2025. Na semana anterior, após o resultado eleitoral, a moeda acumulou valorização de 9,2%. Para economistas, caso o câmbio permaneça elevado por mais tempo, parte dessa pressão poderá ser repassada ao consumidor.

O economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), avalia que a duração desse movimento será determinante para seus efeitos sobre os preços internos.

Soja e milho puxam as cotações

A valorização da moeda americana favorece a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional, já que as commodities são negociadas com referência nos preços externos. Esse movimento tem impulsionado os valores recebidos pelos produtores.

Segundo indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a saca de 60 quilos de soja chegou a R$ 152,45 no Paraná na terça-feira (3), alta de 3,9% em relação ao valor registrado em 23 de outubro.

O milho também apresentou avanço. A saca de 60 quilos alcançou R$ 66,19 na região de Campinas (SP), crescimento de 3% na comparação com o período anterior ao segundo turno das eleições.

A elevação dessas duas commodities preocupa porque soja e milho são matérias-primas importantes para a alimentação de animais. Com isso, aumentos prolongados podem elevar os custos de produção de carnes e outros alimentos.

Açúcar, trigo e arroz também entram no radar

O açúcar cristal branco negociado em São Paulo registrou média de R$ 128,57 por saca de 50 quilos entre os dias 26 e 30 de outubro, avanço de 2,3% em relação à semana anterior. Foi a 15ª semana consecutiva de valorização, sequência mais longa desde 2020.

No mercado de trigo, a oferta limitada de grãos de melhor qualidade, prejudicada pelas chuvas durante a colheita, contribuiu para a elevação das cotações. No Rio Grande do Sul, o preço médio do cereal subiu 2,2% em outubro.

O arroz também voltou ao radar dos exportadores. A valorização do dólar aumentou a expectativa de retomada da demanda internacional pelo produto brasileiro, levando parte dos vendedores a adiar negociações.

Café mantém preços firmes

O mercado de café também sentiu os efeitos do câmbio. Mesmo com recuos nas cotações internacionais, a valorização do dólar ajudou a sustentar os preços no mercado brasileiro.

Na terça-feira (3), a saca de 60 quilos do café robusta foi negociada a R$ 975,32, alta de 4,1% em relação a 23 de outubro. Já o arábica chegou a R$ 1.611,06, avanço de 0,6% no mesmo intervalo.

Outros fatores podem influenciar os preços

Além do câmbio, o mercado acompanha o andamento do plantio da soja, as condições climáticas e o custo do diesel, combustível essencial para diversas etapas da produção agrícola.

A previsão de temperaturas mais elevadas associadas ao fenômeno El Niño também preocupa especialistas, que apontam possíveis impactos nas lavouras nos próximos meses.

Outro ponto de atenção é a política de subsídios ao diesel. Uma eventual mudança no programa pode elevar os custos dos produtores justamente em períodos importantes do calendário agrícola.

Embora a valorização do dólar possa beneficiar exportadores e produtores rurais, a permanência das cotações em níveis elevados pode aumentar os custos de produção e pressionar os preços de produtos consumidos diariamente pelos brasileiros.

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