Justiça aponta influência do PCC sobre financiamento de campanhas em São Paulo
Uma decisão judicial que autorizou uma operação contra suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) aponta que integrantes da facção teriam participado de decisões sobre aportes financeiros destinados a campanhas políticas em São Paulo.
A investigação, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, resultou nesta quinta-feira (17) em mandados contra 13 pessoas. Entre os alvos está Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, que teve a prisão temporária determinada pela Justiça.
Segundo a decisão, a análise do celular de José Daniel Satilite, proprietário da empresa de transporte Translider, revelou conversas sobre a chamada “Sintonia dos Gravatas”, pagamentos de honorários, estratégias jurídicas para integrantes presos, articulações com agentes políticos e possíveis financiamentos eleitorais. A decisão, porém, não especifica quais campanhas teriam sido beneficiadas.
Entre os políticos citados nas conversas estão Danilo Morgado, candidato à Prefeitura de Praia Grande pelo PL em 2024 e atualmente candidato a deputado estadual, e José Ronaldo Alves de Sales, ex-presidente do PDT no município. Segundo a investigação, Sales teria tratado de campanhas eleitorais, empresas de transporte, venda de ônibus e possíveis facilidades junto ao Detran.
As mensagens também indicariam negociações para que empresas de transporte passassem a ser administradas por integrantes da organização criminosa após a obtenção de contratos públicos. A investigação ainda aponta suspeitas de fraude em licitações e de pagamento de vantagens indevidas para viabilizar uma contratação emergencial em Leme.
Milton Leite nega envolvimento
Milton Leite não foi localizado nos endereços informados à Justiça. Em contato com a imprensa, afirmou estar fora de São Paulo e disse que pretende se apresentar às autoridades acompanhado de seus advogados.
O ex-vereador negou qualquer ligação com o PCC e rejeitou a acusação de ser proprietário da Transwolff, empresa de transporte que aparece nas investigações.
A operação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Decúrio, iniciada em 2024 para investigar suspeitas de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e infiltração da facção em empresas e estruturas públicas. De acordo com a decisão judicial, fases anteriores já resultaram em cinco denúncias do Ministério Público e duas condenações.
Empresas de transporte são investigadas
As apurações também miram suspeitas de que integrantes do PCC tenham assumido o controle de empresas de transporte coletivo após a obtenção de licitações, além de possíveis esquemas de corrupção envolvendo agentes públicos.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção na Transwolff, determinada em 2024, teve como objetivo proteger o sistema municipal de transporte e que a administração está colaborando com as investigações.
A Transwolff, por sua vez, declarou que Milton Leite nunca teve participação societária ou administrativa na empresa. A companhia também afirmou que as acusações relacionadas à Operação Fim de Linha são contestadas judicialmente.
As suspeitas ainda são objeto de investigação e as acusações deverão ser analisadas pela Justiça.
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